Mostrando postagens com marcador crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crítica. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de dezembro de 2012

Futebol e a Alienação Coletiva


http://globoesporte.globo.com/futebol/mundial-de-clubes/fotos/2012/12/fotos-corinthians-vence-chelsea.html
Antes de começar, saliento que a seguinte postagem surgiu de diversos comentários e postagens no facebook, especialmente de uma postagem do Bule Voador, que perguntava:
"PARA VOCÊS, O QUE LEVA AS PESSOAS A FORMAREM VÍNCULOS TÃO INTENSOS COM OS TIMES DE FUTEBOL? POR QUE ESSAS PAIXÕES PODEM SER TÃO INTENSAS?"


A partir da resposta que elaborei a essa pergunta, mais vários textos que publiquei por todo do dia, organizei o Frankenstein a seguir. Espero que faça algum sentido...

------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Nesse fim-de-semana tivemos um novo campeão mundial: o Corinthians, com garra e um belo futebol, venceu o apagado Chelsea por 1 x 0 e conquistou o mundo num ano irretocável.
Mas tem gente que não vê razão para a alegria alheia. Tem gente que acha que paixão por futebol não passa de alienação, de pão e circo. Que não vale a pena comemorar gols de jogadores esnobes, que beijam a camisa hoje, mas trocam seu time por qualquer boa oferta amanhã. Gente que se enfeza com os fogos, a festa, o espaço na mídia, tudo relacionado ao futebol. E ai de você se falar que o Brasil é o país do futebol!
Não entendo o motivo de tanta gente reclamar do futebol. Acham, por alguma reflexão cósmica, que o futebol é "alienante" em si, como se necessariamente ele fosse um pressuposto para uma irracionalização do sujeito. Discordo veementemente de qualquer pessoa que colocar o futebol como processo de alienação ou coisa do tipo, pois há vários momentos em que o esporte, como representação simbólica, serviu para mudanças ou lutas sociais importantes. É clichê, mas como dez um camarada corinthiano, preciso citar o saudoso Dr. Sócrates:


Fonte: Futrico.net
"Conseguimos [com a Democracia Corintiana] provar ao público que qualquer sociedade pode e deve ser igualitária. Que podemos abrir mão de nossos poderes e/ou privilégios em prol do bem comum. Que devemos estimular a que todos se reconheçam e que possam participar ativamente dos desígnios de suas vidas. Que a opressão não é imbatível. Que a união é fundamental para ultrapassar obstáculos indigestos. Que mesmo as dificuldades nos são potentes professoras. Que o convívio com pessoas que pensam e agem de forma absolutamente fascista não é impossível. Que uma comunidade só frutifica se respeitar a vontade da maioria de seus integrantes. Que é possível se dar as mãos.

Quem sabe um dia verei, mesmo que lá de cima, acontecer o mesmo com nosso país. Talvez nossa nação possa viver um amanhã justo, ético e puro."

(Sócrates, em "Democracia corintiana: a utopia em jogo")


Isso posto, venho ao contexto da paixão: um clube de futebol é uma agremiação que possui, antes de tudo, uma identificação com uma comunidade, seja ela uma cidade, um bairro, um estado, um país, etc. São Paulo, que é uma grande cidade, tem vários clubes e, na sua maioria, eles se originam de bairros.
Aí passamos para a indústria cultural, que assimilou, a meu ver, a "paixão" do torcedor e a pasteurizou. Na sociedade capitalista moderna, a indústria cultural vive de marketing, e mesmo o sentimento pode ser reproduzido e, a partir dele, gerar uma série de possibilidades de vender produtos e conseguir lucro. O homem da sociedade atual vive uma crise de representação, muito causa e ao mesmo tempo consequência da massificação, e nesse vácuo existencial trabalha o produtor de propaganda, ao fetichizar o produto que deseja vender, e ao ressignificar a relação de simpatia que o indivíduo tem com seu time do coração. Não que a paixão não existisse antes, mas ela se acirra cada vez mais pois cada vez mais os clubes tem mais espaço de exposição na sociedade. Ao ser assimilado, o futebol cresceu (mais investimentos, patrocinadores maiores, etc) e, no caso do Brasil, a TV permitiu que houvesse uma abrangência maior (e consequentemente um maior impacto) dos grandes times das grandes capitais. Além disso, como desde sua chegada o brasileiro se identificou com o futebol, o esporte se tornou ícone de identificação nacional antes mesmo de se tornar o produto rentável que é hoje. Mas não sou sociólogo pra entender (e explicar) isso mais a fundo, perdoem-me.

Um exemplo de incongruência e distorção da realidade ao tratar o futebol como mera alienação: como acertadamente lembrou um amigo meu, o time do Al Ahly que disputou o Mundial de 2012, esteve politicamente envolvido na chamada "Primavera Árabe", e sofreu retaliação por parte dos apoiadores de Mubarak naquele triste evento do massacre de Port Said: "Tem sido amplamente  observado que as circunstâncias do motim são suspeitas na melhor das hipóteses. O massacre veio no aniversário de um ano da tomada da Praça Tahrir por um grupo de contra-revolucionários pró-Mubarak. Foi dirigido a um grupo conhecido por manifestar uma agenda política liberal através do apoio de uma equipe fundada em nome dos trabalhadores historicamente vulnerabilizados e estudantes. E isso ocorreu em um momento em que o governo militar interino pediu aos cidadadãos para apoiar a extensão dos poderes de emergência, e com a cumplicidade aparente da aplicação da lei e da segurança do estádio."
Fontes - imagem:: facebook. Citação: ESPN

O crescimento da paixão para algo doentio não é exclusividade nacional: lembrem-se do fenômeno hooligan na Inglaterra, ou da violência nos estádios da Turquia. O esporte pode ser uma válvula de escape para frustrações, preconceitos, questões de identificação, enfim. E isso, a meu ver, se aproxima um pouco da fé religiosa extremada (e acho que o interesse do post do Bule Voador foi fazer essa ponte) apenas pelas consequências, não pelas origens, da paixão. Na verdade, ao representar sua paixão concretamente, o indivíduo preenche o vácuo da sua crise com o futebol como o religioso preenche com a fé, mas daí a gerar fanatismo e a consequente violência, a coisa é mais complexa. Ela não é intrínseca, a meu ver, nem à religião nem ao futebol: ela se dá pelo motor da construção coletiva de um movimento em direção à substituição das urgências do indivíduo pela fé ou pelo time, como símbolos de uma ausência (a crise) que ele preenche na paixão exacerbada. Não obstante, ambos, o fanático religioso e o futebolístico, criam inimigos e a violência que conduzem contra seus inimigos faz parte desse processo todo.
Ontem estava lendo na internet textos sobre Dissonância Cognitiva, algo que ajuda a explicar o que estou querendo dizer. Cito a Wikipédia:
Dissonância cognitiva é um termo da psicologia social, que se refere ao conflito entre duas idéias, crenças ou opiniões incompatíveis. Como esse conflito geralmente é desconfortável os indivíduos procuram acrescentar "elementos de consonância", mudar uma das crenças, ou as duas, para torna-las mais compatíveis. Este efeito foi descrito pela primeira vez numa experiência realizada nos Estados Unidos por Leon Festinger e Carlsmith em 1959.

Trata-se da percepção da incompatibilidade entre duas cognições diferentes, onde "cognição" é definido como um qualquer elemento do conhecimento, incluindo as atitudes, emoção, crenças ou comportamentos. A dissonância ocorre a partir de uma inconsistência lógica entre as suas crenças ou cognições (por exemplo, se uma ideia implicar a sua contradição). A consciência ou a percepção de contradição pode tomar a forma de ansiedade, culpa, vergonha, fúria, embaraço, stress e outros estados emocionais negativos.


Quando surge a oposição a uma cognição enraizada como um pressuposto autoreferente (todos acreditam em Deus/todos torcem pelo meu time), surge a violência pela incompreensão da alteridade. Pode parecer um exagero, mas para o torcedor fanático, o adversário é o símbolo da alteridade máxima e, por isso, a sua existência é uma inconsistência lógica da sua cognição. Isso gera várias reações, porém por uma crise de identidade e representação do sujeito da contemporaneidade, a reação em geral se dá por esses estados emocionais negativos. A reafirmação de sua paixão completa o sujeito, pois essa paixão está intrinsecamente associada tanto a sua identidade de grupo quanto a sua representação como indivíduo.

A fábula da raposa e as uvas, de Esopo, é um dos exemplos dados pela Wikipédia de dissonância cognitiva: "Quando a raposa percebe que não consegue alcançar as uvas, ela decide que não as quer de qualquer modo, um exemplo da formação adaptativa de preferências, com o objetivo de reduzir a dissonância cognitiva."
É só pensar no fenômeno corinthiano, do clube de massa, que amplia o escopo de realização do indivíduo cerceado pela opressão social. Eu, são paulino que sou, já neguei isso em não tão priscas eras, mas um amigo corinthiano me fez perceber como esse universo da favela, do pobre, agregado simbolicamente pelo Corinthians expandiu as possibilidades de percepção do indivíduo marginalizado, fazendo-o se compreender como algo além e espelhando-se nas conquistas de seu time. O mesmo processo ocorre quando você vê a quantidade de pessoas que ainda votam e dão suporte ao presidente Lula, mesmo depois de tantos casos de corrupção ligados a ele. A recente ascensão da classe C também explica isso.
Como respondi a uma outra amiga, o futebol é uma representação simbólica, do ponto de vista da identificação "mítica", digamos assim, não da identificação explicitamente ideológica. O futebol cria mitos e é sustentado por esses mitos, e é só observar os termos associados ao futebol para perceber que estamos no ambiente do mais puro imaginário mítico: a magia, o fenômeno, o fantástico, o mágico... tudo isso faz parte do ambiente extremamente importante do imaginário, e tudo está lá: num chute que acerta o ângulo, numa defesa impossível, numa vitória de um time pequeno, numa disputa de pênaltis, num drible certeiro, numa jogada que fica pra história.
No caso da ideologia fica complicado se identificar, em geral, pela própria maneira como o esporte é gerido. A constituição da sociedade brasileira, que faz com que apenas os mais pobres se tornem jogadores, leva a uma identificação dos torcedores com as origens dos jogadores, mesmo que depois eles rumem para outros clubes e ostentem suas conquistas financeiras. Muitos jogadores fazem projetos sociais em seus locais de origem, como a fundação Cafu, mas acho que o alcance disso está sempre limitado pelos reais culpados pelos problemas do futebol: os dirigentes. Eles precisavam ter uma visão diferente para que o esporte pudesse atingir efetivamente as massas como algo mais construtivo. Mas, do ponto de vista simbólico, é algo bem forte e muito útil o futebol.
Mas, concluindo de maneira incisiva, eu não concordo e, com o perdão da força da palavra, não respeito a opinião de quem reduz o futebol a um mero fator de alienação. Ele é mais uma consequência que um agente e, sinceramente, quem afirma isso tem uma percepção distorcida ou, pelo menos, muito restrita, da realidade social e psíquica que o circunda.
Eu acho incrível que, no fim das contas, as manifestações de todos os lados só deixam mais claro as pessoas amargas e hipócritas que a nossa sociedade criou: quando rola festa de um time por ser campeão todo mundo reclama do pão e circo, diz que futebol é ilusão, alienação, etc. Agora quando vai votar, defender seus direitos, mudar a sociedade efetivamente, ninguém sabe nada de história, nem da mais recente, e ninguém quer debater e discutir sobre política, sobre filosofia, sobre religião... e chama o fã de futebol de alienado! Quando um moleque sai pra rua pra defender seus direitos, é um vagabundo que só quer confusão e, ao invés de estudar, esbanja o dinheiro dos pais com drogas. Quando um professor ou um trabalhador entra em greve, é um vagabundo que deveria estar trabalhando ao invés de protestar. 
Véi, na boa? Alienado é você, que fica debatendo novela da Globo, engolindo passivamente programas mixurucas de tv e se emocionando com as frases supérfluas do Pedro Bial enquanto torce pra seu Big Brother no facebook, e não tolera um momento de alegria de quem gosta de futebol. Excetuando quem reclama pelos seus animaizinhos, que sim, sofrem pacas com fogos de artifício, gastos em exagero nesses momentos, tenho certeza que os que reclamam não estavam na missa, no culto ou no terreiro, orando pra mentira qualquer em que vocês acreditam, durante o jogo de hoje... Mas no carnaval, no reveillon, a quermesse ou em qualquer outra festa você vai estar comemorando muito, né? Até soltando rojão!
Perdão, caro pseudo intelectual de facebook, mas antes de você nascer, o Dr. Sócrates já tava lutando pela sua liberdade. Por isso seja menos imbecil e mais tolerante: não é porque você é infeliz que os outros tem que ser também.
Pode fazer festa Corinthiano! Você merece.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Tiger, Tiger, burning bright...



Leonardo Soares/UOL

Ontem, a bagunça no Morumbi me deixou, mais uma vez, triste com os rumos do futebol.

Não, não é comum torcedores refletirem no Brasil. Muita gente por aí apenas faz coro às provocações de todos os lados, defende seu time como quem defende um ente querido (às vezes até mais) e fecha seus olhos pra todo tipo de atitude esdrúxula que cometem os dirigentes. É o cara que desce o pau no Lula por causa de casos de corrupção mas, quando ele vem e favorece o seu Corinthians, o Lula é herói. É o cara que votou no Eurico Miranda, no Marco Aurélio Cunha, na Patrícia Amorim. Mas, antes de comemorar mais um título do meu time do coração, tenho que refletir. Antes de ser torcedores, mesmo que muitos não pratiquem isso, somos seres pensantes, de senso crítico e que querem o bem do semelhante.
Por essas e por outras, eu tenho que ser chato: a diretoria do SPFC, como tem sido sua tônica, foi extremamente irresponsável. Não apenas ao limitar o acesso do time do Tigres ao gramado, mas principalmente por permitir que o show da Madonna causasse esses supostos problemas (e usar isso de desculpa foi bem tosco). Não deveriam nem ocorrer shows no Morumbi, nunca. 
Claro, catimba é do futebol, mas essa atitude da diretoria só deixou as coisas mais confusas. O que não justifica de maneira nenhuma as várias atitudes deploráveis do Tigre. Se não tiver rolado nenhuma das supostas agressões que os jogadores do Tigre alegam, o time merece uma punição muito severa, porque nada mesmo justifica tamanho papelão.

G1 (Foto: Agência Reuters)

E acordo com mais notícias sobre a zona lá no Morumbi:

- Segundo o Birner, com informações da Fox Sports:

"A PM falou que foi lá para separar uma briga de seguranças são-paulinos e a delegação do Tigre.
O problema aconteceu no corredor, não no vestiário.
Envolveu toda a comissão técnica e os atletas do Tigre. mais de 20 pessoas, contra 10 seguranças são-paulinos, ou menos, tal qual afirmou a polícia.
A confusão aconteceu após os jogadores hermanos, ainda dentro de campo, tentaram entrar no vestiário são-paulino para brigar, tal qual relatou a equipe da FOX Sports.
A direção do São Paulo alega que os boleiros do Tigre fizeram o mesmo pelo corredor e os seguranças impediram"

- já os jogadores do Tigre afirmam que tinha gente armada no vestiário do Morumbi, como afirmaram ao Olé!:

"Me tuvieron que coser, esto es desde el arranque. No nos dieron lugar para entrenar, no nos dejaban. Nos estaban esperando para cagarnos a palos. Una locura. Quería terminar ser campeón ob subcampeón", explicó Galmarini, dolido. "Treinta tipos, estaba todo armado, una tontería,un mamarracho sin sentido", agregó, golpeadísimo. "Sacaron fierros, cagones, sacaron revólveres para amenazar. Hubo zona liberada, nos cagaron a palos", siguió el relato el experimentado jugador. Pasó en en el regreso al vestuario. Según todo Tigre, los agredieron con violencia y estaba todo armado. "Estaban los patovicas y uno de ellos sacó el revólver. Y empezaron a pegar y lastimar. entró la policía y los agarró a palos. Una locura", se quejó Gorosito.


Olé! aliás que defende a ferro e fogo os argentinos, se comportando como toda imprensa burra que temos hoje no futebol, aqui ou lá, que não enxerga além do próprio nariz das rivalidades e infantilidades e defende apenas seus "compadrinhos".  É ridículo o SPFC fazer o que fez, mas virou algo tradicional esse tipo de comportamento nos jogos da América do sul, infelizmente. Quantas vezes não vemos pilhas, cadeiras e outros objetos jogados em campo? Quantas vezes não vimos jogadores passarem por situações de horror dentro e fora do campo, desde ameaças (só lembrar do que vem acontecendo sistematicamente com o Palmeiras) até assassinatos (sempre me lembro do colombiano Andrés Escobar, em 94). O que o Tigre fez ontem (e não falo apenas da recusa em voltar a campo, mas de toda a violência em campo) é passível de uma punição muito severa se a Conmebol quiser ser respeitada.
Mas não quer, como bem disse um amigo no facebook, o futebol sul-americano está mal organizado, marcado por artimanhas e bizarrices varzeanos desde muito tempo. Lembrem-se do foguete do Rojas. Mesmo ele tendo sido punido depois, no país do futebol, a fogueteira posa pra Playboy e a várzea continua.  Não há greves, boicotes, nada. Apenas cada vez mais várzea e falta de organização.
G1 (Foto: Miguel Schincariol / Ag. Estado)

Em outra conversa de facebook, com um camarada Corinthiano ele citou esse texto extremamente pertinente do Yahoo!, com o qual eu concordo em muitos pontos. Porém, sempre vou bater na mesma tecla: foi a mesma "orkutização" (eu também ODEIO esse termo) que deu ibope e visibilidade o suficiente pra levar o Corinthians a, como clube da massa, ganhar privilégios junto aos poderosos em relação aos outros clubes, além de entrar em falcatruas como o Itaquerão. Isso, nas mãos de corruptos como Dualib, Kia e Andrés deu origem a uma relação espúria com a Globo e CBF que criou uma "marca Corinthians" com a qual eu não corroboro e acho que torcedor nenhum deveria corroborar, pois representa tudo de errado que há no futebol. Quando o Lula vai lá e banca essas coisas, por exemplo, ele compra o torcedor pobre que se enxerga nele (corinthiano, pobre, nordestino, etc.) em prol de um bando de criminosos que deitam e rolam no dinheiro público e destroem nosso futebol. Da mesma forma, não concordo com a putaria da diretoria do São Paulo, que destrói o gramado pra um show da Madonna um fim-de-semana antes do grande jogo do ano pro time e vive tomando atitudes equivocadas que em nada lembram o time glorioso de pouquíssimo tempo atrás. Além, é claro, do Senhor Juvenal, que cada vez mais me deixa chateado em torcer pelo meu time, além do apoio do Rogério Ceni ao Serra e coisas do tipo. Nem precisa falar do Palmeiras, né, que conseguiu a façanha de voltar pra 2ª divisão... acho que por mais popular que sejam, não podemos deixar de lado os bastidores podres de todos esses clubes só por sermos torcedores. Eu já comentei sobre isso aqui aqui. E como disse dessa vez, o que importa ao torcedor alienado é soltar rojão e gritar a plenos pulmões a vitória de um futebol podre.
E antes que me taquem la petaca, como bem disse o Birner, no mesmo post que mencionei:

Aos problemáticos
Há pessoas que, independentemente do fatos, têm opinião formada.
Elas odeiam os rivais mais do que amam seus times.
Os adversários, para elas, estão sempre errados.
Todos os clubes possuem torcedores assim. Isso é do ser humano, não de uma agremiação ou de outra.
Argumentos inteligentes são sempre bem-vindos.
Eles podem mudar a opinião dos outros ou no mínimo enriquecer a discussão com  visões diferentes dos fatos.
Xingamentos, berros internéticos e acusações emotivas, sem nenhuma explicação inteligente, geram efeito contrário. Eles fortalecem os argumentos dos outros.



No mais, pra aplacar a tristeza, uma linda despedida do Lucas com um gol e ovação da torcida. Esse sim, um cara que merece aplausos, que merece títulos e sucesso. Jogou um bolão. E, no mais, é mais um título, mais um pra coleção.

Por Rubens Chiri/saopaulofc.net
Mas que rumo tomará não apenas o país, mas o continente que vai sediar a próxima Copa? Continuará sendo várzea? A Conmebol continuará a fazer vistas grossas e a tratar o futebol dessa maneira? E nenhum clube, torcedor ou quem quer que seja fará nada?
Por isso que um Sócrates Brasileiro é tão ovacionado no futebol: porque é coisa rara...



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O ibope dos Encrenqueiros


Ontem, sagrou-se campeã do Reality Show "A Fazenda" da Rede Record a bela Joana Machado.

Você sabe quem ela é?

Ex de Adriano, ficou famosa por uma atitude típica de uma desequilibrada mental.


Essa é a vencedora da Fazenda.

O programa deu mais audiência ontem que a novela "O Astro".

Ela demonstra um padrão em voga na nossa sociedade.

Assim como numa das últimas edições do Reality da Globo, o "Big Brother" (não sei qual pois não assisto), o vencedor foi o também encrenqueiro Marcelo Dourado.

O mesmo que, no mesmo programa, afirmava que somente gays pegam aids ao transarem sem camisinha.



Que pagava de lutador, e que tomou um cacete quando enfrentou lutadores de verdade.

O jeito marrento é icônico da nossa sociedade.

O cara que se destaca justamente por ser o desajustado, o que não se adéqua às normas do chamado politicamente correto.

Assim como fazem sucesso Joana e Marcelo, faz o Rafinha Bastos.

Ele, do alto de anos de prática da sua "Arte do Insulto", agora é o alvo da grande mídia.

E de todo aquele que tem o mínimo de bom senso para enxergar o quão execrável é uma piada com uma grávida e seu bebê.

Piada que se agrava pela reincidência.


E pela postura, aí sim, marrenta do encrenqueiro, em não voltar atrás nas afirmações.

Podem acusá-lo de tudo, menos de covarde.

Marco Luque foi covarde. Não queria perder os patrocínios.

E traíra, usando uma gíria que mais incensa a fúria dos marrentos.

A coragem, para os marrentos, é mais importante que o bom senso, mesmo que na verdade seja uma covardia disfarçada de coragem.

E é por isso que, ao olharmos a situação com olhos humanos, nos revoltamos e execramos a atitude do Rafinha.

Ele merece ser punido ainda mais severamente do que foi.

Ele merece a exclusão da sociedade, pelo que disse.

Mas na verdade o que não vemos, cegados pela nossa revolta, é que o plano pode ser outro.

Os encrenqueiros, playboys, brancos e marrentos estão na moda.

É só ver como age o maior adorador desse estilo, senhor Boninho:


"Vamos ter um BBB mais jovem no próximo ano. Quem chutar mais o balde, entra"

Sabemos o que isso quer dizer.

Psicopatas da classe média, brancos, sarados, encrenqueiros e marrentos.

É isso que dá ibope.

Ninguém realmente se importa, na grande mídia, com as ofensas de Rafinha.

Nem a Band em si.

Talvez, nem Ronaldo e seu sócio, o marido da atingida.

Nem a Folha, nem o Estadão, nem o R7 e muito menos o G1, da Globo.

Nem seus colunistas.

Você pode pensar que é conspiratório demais, mas já pensou que pode ser tudo armado?

Pode ser que a intenção seja mesmo pegar esse público, o público dos que dão audiência aos encrenqueiros, aos marrentos.

Por que não, se tem gente que finge estar morto pra aparecer na mídia?

Pode ser que Rafinha não seja o réu, mas a estrela.

Que a vítima na verdade não seja a Wanessa, mas a concorrência.

"Que a 9ine de Ronaldo vá lamber as botas da Globo!", diz o setor de marketing da Band.

O passe de Rafinha é disputado por Record e SBT desde que se aventou a sua demissão.

A Globo, se pudesse, o contrataria também.

A Band o demitirá, mas não demitirá o amante de garis Boris Casoy, nem o amante de judeus Danilo Gentili.

Muito menos o traíra Marco Luque.

Sabe por quê? Porque a nossa revolta também é útil para fazer propaganda.

Não devemos, contudo, nos deixar esmorecer.

Não devemos deixar de nos estarrecer, de nos revoltar, de pedir justiça.

Não há sociedade que funcione direito sem a consciência crítica e a humanidade de seus integrantes.

Estupro é crime. Violentar uma grávida e seu bebê, mesmo com palavras, também é.

Mas não se deixe enganar: ninguém é inocente nessa história toda.

Só o pobre do bebê, que nem nasceu e já tem preço e ibope.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Complexo de Macabéa


É fato. Posto coisas sérias no facebook, as pessoas nem ligam.

Posto piadas, as pessoas dão atenção.

O bom é que o facebook virou minha arena de testes do comportamento humano.

E eu, que amo os Franquensteins culturais, me divirto com a geração troll+forever alone.

Claro que, admitamos, a "pregação" é a diversão de uma rede social pra quem não está lá só pra "pegação". Pregação de ideais, distorcidos ou não. E de iconoclastia, à revelia de contra quem.

Sou dos iconoclastas às vezes, outras tantas sou dos idólatras.

É fato. Há uma aura de idolatria por trás de todo cânone, que nada mais é que um reflexo cult da cultura de massas, como advertida por Horkheimer e Adorno. A inversão do cânone, seja por opiniões sinceras e abalizadas, seja por iconoclastia, causa reações violentas de ambas as partes afetadas.

De um lado, os inseridos na industria cultural que fomenta o cânone se vêem como os estetas na torre de cristal, não enxergando além de seus muros. A única diferença destes para os cidadãos viciados na industria massificadora de televisões e rádio é que os últimos não agem como esnobes donos da verdade.

Do outro lado, os que se rebelam, em geral, não são melhores que os "intelectuais conformistas". Eles são rebeldes por vezes sem causa, que defendem e atacam produtos tão diversos que não dá pra saber o que eles realmente querem ou pensam.

Estou do lado dos rebeldes sempre, é a minha natureza.

Mas, em geral, as pessoas que se rebelam e as que aceitam não são tão diferentes.

O mais importante, pra mim, é que haja rebeldia.

Se o cânone fosse assim tão bom, não seria o nome do processo da Igreja pra criar santos.

Da mesma forma, cânones literários, musicais, artísticos são tão cheios de interesses políticos quanto a canonização religiosa. E são defendidos com o mesmo afinco.

Desconstruir um cânone não é difícil, mas não é algo capaz de ser feito APENAS por meio de uma rede social.

Agora, que as redes sociais já são parte mais importante das vidas das pessoas que a leitura cotidiana, ah, isso o são.

Reaprendemos a nos mobilizar. Descobrimos com nossos amigos do oriente (há milênios ensinando o ocidente como agir) que há uma força muito grande na conectividade à distância.

Por vezes não sabemos que existem pessoas tão inconformadas quanto nós com o status quo vigente.

Seja ele um aplicativo do próprio facebook ou um ditador.

No nosso mundo, achamo-nos perfeitamente encaixados e fingimos ser parte de grupos maiores que, tendenciosamente, nos impõe um modo de ser caro ao "perfil" rotulado a nós.

Sou estudante de Letras, com mestrado e doutorando em Estudos Literários.

Não gosto de Clarice Lispector, não me interessa Caio Fernando Abreu, me irrita José de Alencar.

Sou mais a leitura de um bom quadrinho. Ou gastar eu tempo com algo mais útil, como a minha pesquisa.

Sim, eu pesquiso literatura. Aliás, meu autor passou séculos sem ser cânone porque era um épico à sombra dos grandes Homero em Virgílio.

Desconsideravam sua literariedade, sua importância, sua influência.

Se alguém pegar para ler, não é obrigado a gostar, no entanto. Mesmo que eu o faça cânone.

Não é porque você acha que todo mundo dá valor a um autor que ele é o mais importante da face da terra. Pra alguns ele pode ser uma merda. Como a sua religião, o seu time e a sua ideologia.

Aliás, amo Homero e Virgílio.

Nada mais útil para um pensador que a rebeldia.

Nada mais útil para um ídolo que a iconoclastia.

Por isso, no meu complexo de Macabéa, já a li, reli e amei.

Mas cresci.

E a vejo hoje com um distanciamento maior que o que vejo outras coisas.

Mas ainda sou "adolescente" o suficiente pra gostar de heavy metal.

Uma amiga minha tem tatuada a frase "tenho o direito de me contradizer" no braço.

Porque não? Melhor que ser inerte.

Temos que nos livrar das amarras que nos obrigam a ver o mundo através de aforismos.

Aforismos nos são úteis, mas ainda são aforismos.