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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Libertadores é Cosa Nostra 2


http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/2011/07/22/a-festa-de-kia-joorabchian-no-brasil-nunca-acabou-chegou-agora-ao-sao-paulo-futebol-clube-quem-diria/


Ontem publiquei um texto sobre minhas impressões da chegada do Corinthians à final da Libertadores.
Mas, como disse em uma discussão com um amigo corinthiano no facebook, eu fiz o texto, no caso, porque o Corinthians é a bola da vez. Ele é quem está disputando o título, não o São Paulo ou o Santos. Mas, no fim, tanto faz. Porque a corrupção está no campeão europeu Chelsea, nos clubes do Rio (essa contratação do Seedorf não me desce), em todo lugar. Agora a vez é do Corinthians, como já foi dos outros...

E, como prometi a esse amigo corinthiano, vou começar a meter o pau de outro ângulo.

O São Paulo, meu time de coração, ganhou três títulos da Libertadores. Ele tem um grande estádio, moderno, um CT de referência internacional, três mundiais...
Mas isso justifica o que o Juvenal anda fazendo?
http://nossofutebolfc.blogspot.com.br/2011/05/coluna-do-guilherme-silveirao-problema.html
Isso Justifica sua reeleição?
E, principalmente, isso justifica o que aconteceu no último jogo, com os jogadores hipocritamente dedicando a vitória ao seu presidente? Isso, claro, porque ele tirou do time o "problema" que o fez perder tudo esse ano, um problema chamado Leão. A postura dos funcionários com o patrão apresentam uma hipocrisia histórica do futebol, onde o técnico é o cara mais culpado pelos erros de um time todo.

Mas quem, sucessivamente, tem tomado decisões administrativas como... contratar o Leão? É justo elogiar o presidente de um clube por demitir um técnico problema quando ele mesmo foi quem o escolheu como técnico, mesmo sabendo de seu histórico de más relações com jogadores, para comandar um time já desestabilizado? 

Aliás, é justo elogiar quem comprou  uma reeleição?
Quando você é funcionário, é um caminho fácil pra garantir seu salário. Ainda mais quando você é um Luis Fabiano da vida, que vive machucado e não tem metade do futebol de antigamente e precisa se autoafirmar perante a torcida.


Agora, a torcida alienada do São Paulo sempre cai nessa.
E a alienação do São Paulo é histórica, diferente da alienação da torcida corinthiana.
Como não falar (e essa crítica feita a mim eu aceito e busco me redimir agora) da estranha história da construção do Morumbi? Se quiser dados mai específicos, é só ir à Wikipédia:


No dia 31 de outubro de 1956, o então prefeito de São Paulo, Wladimir de Toledo Piza, autorizou um empréstimo de CR$ 5.473.000,00 da Prefeitura e CR$ 5.500.000,00 do Governo do Estado (juntos, representam 4,54% da obra), para a construção do estádio.


Isso, claro, com a influência direta do governador biônico Laudo Natel, ex-presidente do clube.

Enfim, isso pra dizer: quem pode falar de corrupção no futebol? Quem pode defender a idoneidade dos dirigentes do seu time?
O Vasco de Eurico Miranda, de Dinamite? O Cruzeiro do Zezé Perrella? O Palmeiras do Mustafá Contursi e Tirone?
E isso não é um mal daqui do Brasil. Só que aqui a coisa é mais, digamos, descarada.


Aqui, um time ainda vê na contratação do Luxemburgo, um mafioso desmontador de times, um avanço.
Aqui um time como o Flamengo serve de guarida para todo tipo de "degredado" do futebol. Aqui se especula, inclusive, a volta do goleiro assassino Bruno ao futebol!
Aliás, pior, aqui se produz gente como ele. Aqui estimula-se o comportamento de Adrianos, Ronaldinhos, Wagners Love etc.
E, mais uma vez, o que dizer da contratação de Seedorf pelo Botafogo?


Bem, feito o adendo, hora de voltar ao Corinthians.

http://timaoblogfiel.blogspot.com.br/2011/04/se-ninguem-gosta-do-tite-porque-ele-e.html
Torci abertamente para o Boca Juniors, porque sou são paulino, mas também porque não respeito a máfia por trás da promoção desse time.
Como Inês é morta e o Corinthians finalmente ganhou sua Libertadores, acho que deveria dar um desconto e parabenizá-lo pelo seu tão suado e merecido título, certo?
Errado. Quem mereceu esse título foi o Tite.
O craque desse time foi apenas ele, mesmo que com lampejos de bom futebol do cerebral Danilo e do aguerrido Émerson.
Aliás, claro, o Boca fez de tudo pra ganhar esse título, mas foi mais camisa e briga que futebol. Os argentinos dependeram demais do Riquelme, que catimbou como sempre, é o jeito que eles jogam.
Mas não é por isso que eu vou dar parabéns por algo que eu acho estar errado.
Como disse, quem merece esse título é o Tite. Não a diretoria, não a torcida.

Vá lá, parte da torcida merece. A parte que se comporta decentemente.
Mas parabenizar a TODOS os corinthianos seria como parabenizar, por exemplo, Juvenal ou a Independente pelas vitórias do São Paulo.

Há uma boa parcela, uma grande parcela desses torcedores que nem merecem serem chamados de torcedores por inúmeros motivos. O principal é a alienação.
A alienação que faz um torcedor compartilhar tal imagem no facebook:



Como, em sã consciência, uma pessoa adulta e de bom senso pode considerar esse CRIMINOSO como símbolo de seu time? Nem preciso repetir tudo que já disse sobre ele ontem. Mas me assusta muito que o corinthiano se esqueça de tudo que a administração Dualib-Sánchez fez com seu clube.
Se esqueceram da humilhação do descenso?
Pão e circo: uma Libertadores basta para qualquer corinthiano perder a noção crítica.
Esse senhor, em breve, pode enfiar a máfia russa de novo dentro do Corinthians, sabia?
Não, não sabia. Pois o que te importa, torcedor alienado, é soltar rojão e gritar a plenos pulmões a vitória de um futebol podre. Um futebol que nada tem a ver com o que se esperaria do clube que deu origem à Democracia do Doutor Sócrates, como disse ontem.

Outra das coisas que meu amigo criticou é que não dei espaço em meu texto para comentar sobre a discriminação sofrida por corinthianos, historicamente, por ser um time ligado às classes mais populares do país.
O Corinthians é time de pobre. E por isso muito corinthiano, como ele mesmo expressou, já foi vítima de assédio moral e violência (até física). Isso é preconceito de classe e está na origem do anti-corinhianismo.


Mas qual são paulino não sofreu "bullying" por causa de seu time? Quem nunca foi tratado como "bambi" e desrespeitado? Pra começar, desqualificar qualquer pessoa por ser pobre ou gay é crime e ponto final. E usar essa qualificação como ofensa é pior ainda! Não é um absurdo a zoeira que se faz com a sexualidade dos são paulinos? Quem já foi xingado de bambi pra baixo, sabe o quanto isso é uma demonstração clara de que o futebol ainda é o antro de preconceitos e machismo.
O preconceito de classe existe, no caso do Corinthians, mas existem outros preconceitos.
Enfim, eu não parabenizo o Corinthians nem seu torcedor pelo título. Eu parabenizo o Tite e seus guerreiros. Mas nunca parabenizarei quem compartilha e nutre esse jeito errado de fazer futebol. Quem compactua com CBF, Kia, MSI, Globo e outros.
Em qualquer clube, agremiação, time...
E, para terminar, lembre-se, corinthiano, de quem mandou o Tite embora, na sua primeira passagem pelo time, quando esse expulsou dos vestiários do time o Kia da MSI.
http://www.gazetaesportiva.net/blogs/chicolang/2011/07/19/sanchez-sacrifica-volta-de-tevez-pelo-poder-politico/



Se o futebol não tivesse nada de política por trás, essa vitória seria apenas o que ela é: justa e merecida.
Mas a vitória da alienação e da gestão podre do futebol brasileiro não pode ser comemorada. Pelo bem de todos nós.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O ibope dos Encrenqueiros


Ontem, sagrou-se campeã do Reality Show "A Fazenda" da Rede Record a bela Joana Machado.

Você sabe quem ela é?

Ex de Adriano, ficou famosa por uma atitude típica de uma desequilibrada mental.


Essa é a vencedora da Fazenda.

O programa deu mais audiência ontem que a novela "O Astro".

Ela demonstra um padrão em voga na nossa sociedade.

Assim como numa das últimas edições do Reality da Globo, o "Big Brother" (não sei qual pois não assisto), o vencedor foi o também encrenqueiro Marcelo Dourado.

O mesmo que, no mesmo programa, afirmava que somente gays pegam aids ao transarem sem camisinha.



Que pagava de lutador, e que tomou um cacete quando enfrentou lutadores de verdade.

O jeito marrento é icônico da nossa sociedade.

O cara que se destaca justamente por ser o desajustado, o que não se adéqua às normas do chamado politicamente correto.

Assim como fazem sucesso Joana e Marcelo, faz o Rafinha Bastos.

Ele, do alto de anos de prática da sua "Arte do Insulto", agora é o alvo da grande mídia.

E de todo aquele que tem o mínimo de bom senso para enxergar o quão execrável é uma piada com uma grávida e seu bebê.

Piada que se agrava pela reincidência.


E pela postura, aí sim, marrenta do encrenqueiro, em não voltar atrás nas afirmações.

Podem acusá-lo de tudo, menos de covarde.

Marco Luque foi covarde. Não queria perder os patrocínios.

E traíra, usando uma gíria que mais incensa a fúria dos marrentos.

A coragem, para os marrentos, é mais importante que o bom senso, mesmo que na verdade seja uma covardia disfarçada de coragem.

E é por isso que, ao olharmos a situação com olhos humanos, nos revoltamos e execramos a atitude do Rafinha.

Ele merece ser punido ainda mais severamente do que foi.

Ele merece a exclusão da sociedade, pelo que disse.

Mas na verdade o que não vemos, cegados pela nossa revolta, é que o plano pode ser outro.

Os encrenqueiros, playboys, brancos e marrentos estão na moda.

É só ver como age o maior adorador desse estilo, senhor Boninho:


"Vamos ter um BBB mais jovem no próximo ano. Quem chutar mais o balde, entra"

Sabemos o que isso quer dizer.

Psicopatas da classe média, brancos, sarados, encrenqueiros e marrentos.

É isso que dá ibope.

Ninguém realmente se importa, na grande mídia, com as ofensas de Rafinha.

Nem a Band em si.

Talvez, nem Ronaldo e seu sócio, o marido da atingida.

Nem a Folha, nem o Estadão, nem o R7 e muito menos o G1, da Globo.

Nem seus colunistas.

Você pode pensar que é conspiratório demais, mas já pensou que pode ser tudo armado?

Pode ser que a intenção seja mesmo pegar esse público, o público dos que dão audiência aos encrenqueiros, aos marrentos.

Por que não, se tem gente que finge estar morto pra aparecer na mídia?

Pode ser que Rafinha não seja o réu, mas a estrela.

Que a vítima na verdade não seja a Wanessa, mas a concorrência.

"Que a 9ine de Ronaldo vá lamber as botas da Globo!", diz o setor de marketing da Band.

O passe de Rafinha é disputado por Record e SBT desde que se aventou a sua demissão.

A Globo, se pudesse, o contrataria também.

A Band o demitirá, mas não demitirá o amante de garis Boris Casoy, nem o amante de judeus Danilo Gentili.

Muito menos o traíra Marco Luque.

Sabe por quê? Porque a nossa revolta também é útil para fazer propaganda.

Não devemos, contudo, nos deixar esmorecer.

Não devemos deixar de nos estarrecer, de nos revoltar, de pedir justiça.

Não há sociedade que funcione direito sem a consciência crítica e a humanidade de seus integrantes.

Estupro é crime. Violentar uma grávida e seu bebê, mesmo com palavras, também é.

Mas não se deixe enganar: ninguém é inocente nessa história toda.

Só o pobre do bebê, que nem nasceu e já tem preço e ibope.

quinta-feira, 25 de março de 2010

But all punishment is mischief: all punishment in itself is evil.

Escrito tendo em mente um episódio de uma série americana, discos de black metal e a opressora campanha pela punição de criminosos com a morte, o texto a seguir contém opinões pessoais - mas as consequências dos atos das pessoas que servem aqui de exemplo são universais. Meu objetivo aqui nada mais é que a reflexão, nunca o doutrinamento filosófico ou político. Sou contra qualquer tipo de evangelização, religiosa ou não.
Ah, e um lembrete de última hora - há ligeiras menções ao episódio dessa semana do Lost. Para aqueles que temem por resvalar em leves spoilers, fica o alerta... mas acho que nada do que direi aqui é muito revelador. (agradeço ao Arthur Malaspina pela dica)


Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.
Isaías 14:12-14

Ontem o grupo de loucos fanáticos do qual faço parte teve diante dos olhos sérias revelações sobre o universo de uma das mais intrigantes peças de arte da modernidade.

Isto é, ontem foi exibido nos EUA Ab aeterno, o nono episódio da 6ª e última temporada de Lost.

Onde vislumbramos o passado de um homem imortal, passado que expõe as antagônicas figuras de Deus e do Diabo, em suas encarnações "Lostianas".

Não quero falar mais... quem quiser entender melhor o caso deve assitir essa magnífica narrativa.

Mas a questão me levou a outro ponto...

Boa parte do que se coloca nesse final eletrizante dessa série é a oposição mais fundamental que rege a humanidade.

O que é o bem, e o que é o mal?

Para muitas pessoas, lados opostos da mesma moeda.

Para a maioria dos ocidentais (e alguns orientais), Deus e Satã.

Mas quem é esse ser demoníaco que atende por diversas alcunhas?

Porque é tão intrigante, até fascinante?

O tentador, o sedutor...

Vésper.

Considerar as aproximações entre o gênio e a tradição místico-religiosa que
engendrou a figura complexa do Adversário é algo importante, sobretudo devido ao
fato de que o mito do grande oponente do Deus judaico-cristão – sobretudo cristão,
na relidade – não possui uma continuidade histórica unívoca. Embora seja uma idéia
bastante difundida atualmente vale lembrar que a religião dos hebreus, na base
mítica do judaísmo tardio e do cristianismo, não apresentava, a partir de seus textos
sagrados, a figura do Diabo tal como o conhecemos hoje. Na verdade, uma série de
elementos reconhecidos pelo cristianismo como pertencentes à esfera do Diabo não
o eram a princípio. A serpente do Éden, o Satã do livro de Jó, a Estrela da Manhã do
livro de Isaías, assim como a figura do Dragão de antigos mitos de confronto entre
Caos e Ordem ou deuses ctônios de povos inimigos, nada era a princípio parte de
um mito complexo e tardio (mas de evidente força) (PRADO, 2007).

É interessante a experiência do ser humano, levando em conta essa reflexão, com a figura demoníaca.

O demônio faz parte da vida de todos, como Deus... o problema é que, como vivemos a mitologia cristã, não há em nosso mundo uma discussão séria sobre o papel do mal em nossas vidas.

E o diabo não é, por assim dizer, o mal.

Ele é o adversário. O contestador da ordem.

O revolucionário, por assim dizer.

Assim como ele aparece em Lost, como o inimigo de Jacob.

Assim como ele tenta e corrompe... mas também apresenta caminhos mais fáceis para o mesmo destino.

Eu conheço esse discurso não só da igreja aliás.

Há alguns anos, virei grande fã de Metal Extremo, e descobri no Black Metal pessoas criativas, habilidosas e excelentes músicos.

Nunca fui fã, admito. Mas hoje posso falar sobre algumas bandas que levam a bandeira do estilo com muita responsabilidade.

Mas há outra bandeira... e outro Black Metal...

O de Satanás.

Existem, é claro, dois Satanás aqui.

Um é apenas um personagem de narratvas de jovens músicos preocupados apenas com sua música, para quem Satanás é símbolo de rebeldia, como o foram as drogas e o sexo livre.

O outro, o símbolo do mal, é o patrono de uma seita surgida nos meandros da "sociedade metálica".

Aquela seita que queima igrejas, que mata.

De gente como Varg Vikernes... e Ghaal:


Mas, é claro, nada disso tem mesmo a ver com Satã.

Tem a ver com a estupidez humana...

A falta de noção dos limites entre o racional e o irracional.

E é quando ligo a tevê que me deparo com cenas que me fazem repensar ainda mais como o ser humano lida com o mal.


O caso de André Luiz dos Santos, empresário de 49 anos, é emblemático. Ele saiu de Ponte Nova (MG) para protestar, carregando uma cruz de madeira de aproximadamente 1,8m de altura pesando cerca de 30 kg. Em frente ao fórum, André se amarrou à cruz com cartazes pendurados e fotos de Isabella.

Para a maioria das pessoas, os Nardoni do afamado caso Isabella são não apenas culpados...

Para André, que afirmou que “Isso não tem relação com Cristo. Tem relação com a paz”, o que são os Nardoni senão uma encorporação terrena do que é o mal.

Para a maioria dos espectadores desse caso, para as milhares de pessoas que fazem vigília à porta do fórum, os Nardoni são o mal.

Não devem pagar com 30 anos de cadeia, devem morrer.

Como eram apedrejados os blasfemadores e as prostitutas em tempos antigos.



E ainda o são em alguns países onde quem manda é a "lei de Deus".

A maior parte da população espera dos seus líderes mais a lei de Deus que a dos homens.

A lei que pune com sangue, do olho por olho, do velho testamento.

Assim, o julgamento do caso Isabella acabou antes de começar.

Porque existe sim a chance deles serem inocentes.

Mas os Nardoni já são culpados. Nunca mais vão poder voltar à sociedade.

Mesmo julgados inocentes, serão penalizados por uma sociedade que não entende o mal.

Ou o bem.

Que julga os homens pelos mesmos motivos mesquinhos que julgava há séculos.

Que não tolera, não entende e se vinga.

E que prefere o conformismo de Deus ao questionamento do Diabo.

"“Deus”, “imortalidade da alma”, “redenção”, “além”, todos esses são conceitos que nunca levei em conta; nunca com eles sacrifiquei meu tempo, nem mesmo em criança; talvez nunca fosse bastante ingênuo para fazê-lo? Para mim o ateísmo não é nem uma conseqüência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto. Sou bastante curioso, suficientemente incrédulo, demasiado insolente para contentarme com uma resposta tão grosseira. Deus é uma resposta rude, uma indelicadeza contra nós, pensadores; antes, dizendo-se a verdade, não é senão um tosco empecilho contra nós mesmos: não deveis cogitar dele!"

Nietzche, Ecche Hommo

O fundamento do ato do Sr. André me leva também a outro "Jesus Cristo" moderno.


Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos. Que segundo consta queria levar Glauco, o cartunista, para dizer à sua mãe que ele era Jesus.

Um desequilibrado, sem dúvida, mas nunca pelo daime.

Uma seita, sim, mas não menos nociva que o catolicismo, os cultos evangélicos ou outra que seja.

Desde o oráculo de Delfos até o Daime temos milênios de transes hipnóticos e curas místicas para males.

Cadu, assassino de Glauco e de seu filho, é tão vítima quanto os dois.

Quanto Isabela.

Mas o mal - ah, o mal - o mal é uma característica dos homens!

Deus, que observa, rege e pune, é o bem.

Lúcifer, que contesta, negocia e liberta, é o mal.

Disso se fazem os psicopatas, dentro e fora das religiões.

Dentro, temos crápulas como Edir Macedo, cujos fiés seguem como a um novo Jesus, e que propaga que o mal se encontra, por exemplo, no candomblé.

Ou seja, uma religião de todo um povo é símbolo do mal para muitas pessoas...

E não é coincidência que seja a religião de negros, de pobres.

Assim é para católicos, pentecostais, ou simplesmente supersticiosos.

Porque toda religião nada mais é que uma superstição institucionalizada.



Mas a bola levantada pelo Lost lembra-nos também de um outro aspecto dessa relação: o livre-arbítrio. A capacidade do homem de escolher seu caminho.

O deus de Lost não pune, ele controla as vidas de um grupo de coitados para fazê-los crer em suas capacidades e, assim, provar ao seu "inimigo" que é o lado "branco" da moeda.

Se é que isso já não é uma punição.

Crer ou não não é a questão.

Eu não creio.

(e por vezes tenho medo de quem crê)

Mas a questão é: o que se faz em nome do bem e do mal se justifica?

E o que, afinal, são bem e mal? São Deus ou Satã?

É melhor viver para sempre na doutrina dogmática de Deus ou se libertar na vida corrompida de Satã?

O homem não nasceu para sofrer, para ser punido.

Não nasceu para se submeter.

De Nardonis, Ghaals, Cadus e Macedos eu tiro uma conclusão:

Nós, os mortais, criamos Deus e Satã. Somos maiores e melhores que eles.



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PS:
O título do texto ("Toda a punição é maldade; toda a punição em si é má") é uma frase de Jeremy Bentham, figura com a qual não concordo 100%, mas que cunhou uma frase genial.

Uso aqui um trabalho fenomenal de um grande amigo:
Prado, Márcio Roberto do. Vésper – 2007. Disponível em: http://www.fclar.unesp.br/posestlit/teses/marcio_roberto_do_prado.pdf

Agora um alívio cômico da MadTv: Toque de um Ateu:

George Carlin rules!!