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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu sou a favor de bandido


"OS ESTUDANTES QUE INVADIRAM A REITORIA DA USP SÃO VANDALOS E DESOCUPADOS, INFRIGIRAM A LEI E INVADIRAM UMA PROPRIEDADE QUE NÃO É DELES, A CRACOLANDIA FICHA CHEIA DE LADRÕES (NINGUÉM GOSTA DE SER ASSALTADO NÃO É? E QUANDO É ASSALTADO A 1ª COISA QUE FAZ É LIGAR PARA O 190, NESSAS HORAS A POLICIA SERVE?), QUANTO A REINTEGRAÇÃO DE POSSE, ESSAS FAMILIAS INVADIRAM UMA PROPRIEDADE PARTICULAR, PORÉM QUANDO FORAM SOLICITADAS A SE RETIRAREM, TINHAM QUE DEIXAR O LOCAL E NÃO IR PRAS RUAS QUEBRAR TUDO, ELES QUEIMARAM LOJAS E CARROS, ( QUERIA VER SE FOSSE SUA LOJA OU CARRO QUEIMADO POR VANDALOS), AS FAMILIAS DE BEM NÃO SE ENVOLVERAM NA CONFUSÃO.
PRA FINALIZAR, QUEM É CONTRA A POLÍCIA É A FAVOR DE BANDIDO!!!"

O comentário acima se encontra nesse texto de Raquel Rolnik para o portal do Yahoo!.

Como diz o seu perfil no seu blog, "Raquel é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada."

Ela não sabe o que diz, segundo o amigo que comentou aí em cima.

Mesmo sendo sua profissão e atuação a questão da moradia e dos problemas urbanos.

Mas, apesar das diversas coisas que poderia apontar no discurso da figura aí de cima, eu destaco apenas o seu final.

"QUEM É CONTRA A POLÍCIA É A FAVOR DE BANDIDO!!!"

Pense nessa frase e reflita comigo: o que tem a ver a crítica à ação da PM com ser "a favor de um bandido"?

É como se me dissessem "você é ateu, é contra Deus, logo é a favor do Diabo".

Acredite, tem gente que pensa assim.

Mas o mais sério, pra mim, é a cegueira das pessoas que teimam no discurso: "direitos humanos só protege bandido".

Pois bem, então segura essa: eu sou a favor de bandido.

Você não leu errado.

Se for baseado no discurso acima, eu sou a favor sempre da bandidagem.

Porque, afinal de contas, quem é o "bandido" de que tanto falam?

Existem dois:

Um é um cara que caiu na vida do crime, que sem condições de sobreviver no estado capitalista se revolta e dá seu jeito de burlar o sistema.

Nunca serei contrário a "burlar" o sistema em prol da sobrevivência.

Porque, na realidade, o sistema nos oprime, nos julga, e marginaliza.

Se é assim, porque não burlar o sistema?

Porque não fraudar, roubar, piratear?

Porque é crime?

E, quando minha situação de abandono e marginalidade é culpa do sistema, quem é o Estado pra me julgar?

Pra me dizer como tenho que me comportar, onde devo morar?

O sistema capitalista inverte a moral.

Ele faz-nos crer que o marginal é bandido porque quer, não porque é marginalizado.

Que o crime é causa, e não consequência.

O outro "bandido" é todo aquele que não joga de acordo com as regras impostas pela cartilha "moral" desse sistema.

É, por exemplo, o cara que fuma maconha.

Ele é bandido por fumar maconha.

Mas maconha faz mais mal que cigarro ou álcool?

Não, mas o maconheiro é marginal.

Porque fumar dorga é errado.

Quem disse isso?

Quem impôs que isso é um desvio comportamental?

A quem eu prejudico fumando maconha além de mim mesmo?

"Ah, mas você financia o tráfico."

Então liberem a droga para que eu não tenha que comprá-la com o traficante.

Não, eu não fumo maconha.

Mas não fumo porque não gosto, não porque é amoral.

Nem porque "financia bandido".

Mas quando seu ídolo é o Capitão Nascimento - e como tem gente que não entendeu Tropa de Elite nesse país - é normal que se haja mediante essa diretriz.

De culpabilizar o diferente.

Por preconceito.

Esse bandido, o bandido eleito como tal, é o morador do Pinheirinho, o estudante da FFLCH, o cracômano, o gay, a prostituta, o pobre negro favelado...

Todos esses são ou já foram os alvos da polícia.

A PM brasileira é um braço de repressão armado que remonta aos dias sombrios da ditadura.

Ela é uma instituição errada, com diretrizes erradas e fundamentada em filosofias erradas.

É destreinada e formada por diversos bons homens que vivem uma enorme pressão, todos os dias, em troca de salários miseráveis.

Homens que tem que conviver com corrupção, com falta de equipamento.

Que arriscam suas vidas para cumprir ordens de bandidos.

E que são treinados a agir como bárbaros, sem o menos preparo psicológico para enfrentar as diversas situações que lhes são impostas.

A PM brasileira faz valer o M do seu nome.

É Militar como os da ditadura.

Seus coronéis e oficiais agem com covardia, com preconceito...


A mando de Geraldo Alckmin.

Lembre-se disso, quando for votar.

Geraldo Alckmin pode ter mandado a sua polícia matar uma criança de 4 anos...

E você acha que o bandido é o problema?

Se for pela sua PM, eu sou a favor do bandido sim...

E pense quem é o bandido quando for depositar seu voto, meu caro...

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PS: Eu lembro exatamente em quem votei na última eleição. Votei, para deputado federal, no Ivan Valente, do PSol.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O pit bull de Kassab e Alckmin

Um animal é um ser irracional. Ele ataca por instinto.

Quando ameaçado, quando tem fome, quando quer defender seu território.

Um pit bull é um animal como outro qualquer.

Ataca por instinto.

O problema é que ele foi posto numa condição social pelo ser humano que o impele a ser uma máquina de matar.

Ele é uma excelente máquina de matar.

Por isso, ele foi colocado pelo ser humano numa posição marginal.

E, ao não saber lidar com a fúria incontida de um animal irracional, o ser humano sofre com sua própria criação.

Matar um pit bull para defender um indefeso não é errado.

É uma situação extrema, não há muito o que fazer.

O melhor seria se a sociedade aprendesse a lidar com a fera que criou.

Mas em geral, por não entender isso, as pessoas defendem que se extermine essa raça.

Adianta exterminar uma raça como pit bull?

É só o pit bull o responsável pela violência?

Um yorkshire pode morder mina perna, arrancar um pedaço.

O problema é que essa medida, paliativa, aplaca o desejo de vingança de uns, ao mesmo tempo que esconde o real culpado por tudo isso.

O ser humano.

Um viciado é como um ser irracional. Ele ataca por instinto.

Quando ameaçado, quando tem abstinência e precisa de mais drogas, quando quer defender seu território.

Um usuário de crack é como outro viciado qualquer.

Ataca por instinto.

O problema é que ele foi posto numa condição social pelo ser humano que o impele a ser um marginal.

Ele é um excelente tipo de marginal.

Isso porque ele foi colocado pela sociedade numa posição marginal.

E, ao não saber lidar com a fúria incontida de um viciado, o cidadão sofre com sua própria criação. Atacar, prender ou até matar um viciado para defender um indefeso não é errado.

É uma situação extrema, não há muito o que fazer.

O melhor seria se a sociedade aprendesse a lidar com o problema que criou.

Mas em geral, por não entender isso, as pessoas defendem que se extermine essa "raça".

Adianta exterminar uma raça como a dos cracômanos?

É só o viciado em crack o responsável pela violência?

Um playboy pode agredir você na rua, só por você ser gay.

O problema é que essa medida, paliativa, aplaca o desejo de vingança de uns, ao mesmo tempo que esconde o real culpado por tudo isso.

A própria sociedade.

A sociedade que criou os pit bulls criou a cracolândia.

A polícia está tão sem rumo quanto os próprios viciados.

Prender e bater nessa gente não faz diminuir o número nem acaba com o problema.

Mas ajuda a "limpar" a área.

Limpar...


Ele sabe que o paulistano que o elege, o paulistano que é fascista, preconceituoso e burro, quer isso: ele quer sair na rua e não ver o viciado, o mendigo, o marginal.

Não importa se ele está bem ou mal, se o problema está resolvido mesmo ou não.

Importa é que eu não seja exposto a gente feia, gente suja...

E ao iminente perigo de ser atacado pelos animais irracionais da cracolândia.

A política de higienização do estado de São Paulo lembra os momentos mais terríveis do nazismo hitlerista.

A cracolândia virou um campo de concentração, onde a polícia brinca de SS.

O prefeito e o governador são, respectivamente, Mussolini e Hitler do terceiro mundo.

É evidente que isso tem a ver com o fato de que teremos eleições esse ano.

O líder nas pesquisas é Celso Russomano, o eterno malufista.

Nada melhor pra conquistar o eleitorado paulistano que agir como Paulo Maluf, pondo a Rota pra bater em viciados.

Mas eu penso: em 20 anos de governo do PSDB, só agora a cracolândia é um problema?

Não adianta nem falar em responsabilidade de governos anteriores.

Nenhum, nenhum dos partidos que passaram pelo governo federal e pelo municipal fez nada pra resolver esse problema.

E do estadual nem dá pra falar nada, pq antes de PSDB tínhamos Fleury, Maluf...

O paulista tem saudades da ditadura.

Sente falta de bater em comunista, em marginal, em viciado.

O paulista queria ter se emancipado do Brasil.

Não demorará pra guerra contra as drogas virar a plataforma de campanha de Kassab e Alckimin.

A guerra contra as drogas que já foi perdida, diria o intelectual.