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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Conjuntura



I.

Do dicionário Caudas Aulete online:


conjuntura (con.jun.tu.ra) sf.


1. Situação não duradoura, resultante da combinação de diversos fatores ou circunstâncias: A atual conjuntura econômica é um desastre.: "Seus próprios pais com ela se aconselhavam nas conjunturas difíceis." (Franklin Távora, O matuto))
2. Fato, acontecimento, ocorrência que modifica ou caracteriza determinada situação concreta.



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Ascensão Conservadora

Achei interessante o debate chamado "Ascensão Conservadora", realizado na USP em 28 de agosto de 2012 pois, apesar de versar muito sobre a política da cidade de São Paulo, ele serve como um diagnóstico do atual espectro político brasileiro. Análises de três grandes nomes do pensamento intelectual mais à esquerda, André Singer, Marlena Chauí e Vladimir Safatle.
O momento político brasileiro, como expõe Safatle ao fim, é de uma baixa reflexão de esquerda e acho que o debate é necessário do ponto de vista de um caminho mais radical de pensamento e a busca por ideias mais progressistas.
Achei no Viomundo do Luiz Carlos Azenha.



E as questões:

domingo, 8 de julho de 2012

Complexo de Corno

http://blogdoenorerodrigues.blogspot.com.br/2012/06/mensalao-mensalinho.html


Hoje postei algo no facebook e, pensando um pouco, vi que podia estender minha observação.

Um texto do colunista da Carta Capital, Marcos Coimbra, me chamou a atenção hoje. Como é fácil julgar um livro pela capa, sempre nesses casos, parece necessário fazer um mea culpa e lembrar do apoio claro dessa revista ao governo do PT. Essa necessidade de "hipocritizar" a minha fala é exigida pelos que, em geral, ou não sabem diferenciar o joio de do trigo ou que praticam o esporte de relativizar tudo. Isso posto, agora sim posso expor a minha opinião "não-hipocritizada" da penumbra que se instaurou na política nacional quanto à corrupção.

Quando se ouvia falar em corrupção no Brasil, até 2003 mais ou menos, não tínhamos um sinônimo tão forte para esse ato quanto a palavra "mensalão". O termo cunhado sobre uma ideia de que havia uma ação mensal de pagamento de propinas, uma "mensalidade", é muito melhor explicado e estudado pelo autor que citei acima em seu texto.

Mas, há uma penumbra sobre o mensalão. Não sobre todo ele, mas sobre o que tange a esfera oposicionista dele. O sistema sobre a qual se moldou nossa política faz com que quem está na oposição sempre seja a promotoria da situação: quando era o PT a promotoria, eles fizeram essa penumbra, obviamente sobre suas ações. E, como agora a oposição é formada por PSDB e DEM, que eram a situação, eles fazem essa penumbra. 

O problema é que, na política atual, uma coisa desemboca na outra. O Suposto "mensalão do PT" nada mais é que uma consequência da aderência do Partido dos Trabalhadores ao modus operandi já instituído entre seus adversário na época que estes eram a situação. É o que torna nossa política podre e, em suma, é ocasionado por um método pragmático de conduzir as ações, fruto do próprio sistema capitalista, onde a ideia da mais valia se alia a que "os fins justificam os meios", num maquiavelismo (desculpe Maquiavel) de mercado. Assim se justifica leiloar seu partido, ou aceitar participar do leilão de um, por influência - sim, estou falando da conjunção PT e PP, ou melhor, Lula e Maluf. Quando as ações se pasteurizam em função de resultados objetivos a curto prazo, o imediatismo suplanta a ideologia e o pragmatismo vence.

http://naoabandoneseumelhoramigo.blogspot.com.br/2012/06/bandido-sempre-apoia-bandido.html
Por aderir a esse modelo, criou-se um efeito de "rejeição" muito maior em relação ao PT que aos seus opositores, pois o PT era a mistura perfeita de um investimento ideológico e uma conquista política. Os anos de espera da população por um governo que significasse a real vitória da democracia foram longos, e os governos pós ditadura só fizeram os problemas derivados desta se intensificarem, como a inflação. Ainda, se fez democracia, para muitos, a partir do momento que o PT subiu ao poder, pois foi a primeira real alternância desde a malfadada eleição do Tancredo. A partir daí, todas as eleições foram uma sequência de insucessos: Collor deposto por corrupção; Fernando Henrique cria o Real, se reelege, mas a economia não se sustenta; Lula vem... e temos corrupção. Para o cidadão que votou em Tancredo, Collor e em Fernando Henrique, o voto em Lula era a última esperança... Não falo aqui de quem votou sempre no Lula, porque é diferente. Mas o caso é que, a queda mesmo que de apenas uma parcela do PT e a subsequente "vista grossa" de Lula com o caso gerou um sentimento: traição. E não há sentimento que gere mais rancor que o sentimento da traição, em qualquer relacionamento. Muito do que vemos de ataques ao PT, de ódio mesmo, é fruto de uma sensação de traição. De um lado, aqueles que sempre apostaram no partido e, quando este chegou no poder, viram o mesmo agir como seus adversários; do outro, aqueles que nunca apostaram mas, ao decidirem dar o seu voto de confiança para o Lula uma vez e se verem traídos, reforçaram preconceitos e criaram novos.

O problema não está, em si, no PT ser ou não corrupto. A política nacional, aliás, passa muito mais tempo discutindo corrupção que ação. Como bem argumentou o Vladimir Safatle (sempre ele), num excelente artigo para a mesma revista:



Há várias maneiras de despolitizar uma sociedade. A principal delas é impedir a circulação de informações e perspectivas distintas a respeito do modelo de funcionamento da vida social. Há, no entanto, uma forma mais insidiosa. Ela consiste em construir uma espécie de causa genérica capaz de responder por todos os males da sociedade. Qualquer problema que aparecer será sempre remetido à mesma causa, a ser repetida infinitamente como um mantra.
Isto é o que ocorre com o problema da corrupção no Brasil. Todos os males da vida nacional, da educação ao modelo de intervenção estatal, da saúde à escolha sobre a matriz energética, são creditados à corrupção. Dessa forma, não há mais debate político possível, pois o combate à corrupção é a senha para resolver tudo. Em consequência, a política brasileira ficou pobre.



http://blog.bytequeeugosto.com.br/como-funciona-um-militante-brasileiro/
Uma demonstração de como esse "complexo de corno" quanto ao PT fez mal à nossa política é notarmos não apenas o crescimento no nosso país do coro demagógico e desinformado dos inconformados contra a corrupção mas também o dos apolíticos.
Um exemplo pessoal: na minha universidade, a cada ano, vejo crescer o número de pessoas que são contra movimentos, de qualquer tipo. Não, não contra movimentos de esquerda, mas contra o ato de se mobilizar. A ideia, sem qualquer nexo com a realidade, é que a mobilização tira o estudante de seu foco real de ação, que é estudar. Apesar de eu saber que o movimento estudantil, por diversos equívocos e politicagens, comete diversos erros de logística (pontuais, a meu ver, mas sérios e que criam uma imagem errada do movimento), na prática, o problema desses estudantes reside no fado de que eles encaram o curso de uma universidade como quatro anos de estudo - e festa, porque sem festa não se vive - em prol de ganhar uma profissão no fim dele (materializada no diplominha) e poder ganhar dinheiro com essa profissão para manter-se na mesma boa vida de quando são sustentados pelos pais. Não me venha dizer que a vida é só isso, ainda mais a universitária. Quem pensa assim age com o mesmo tipo de pragmatismo que critica na aliança PT+PP...
Há um conforto em ser alienado, em conformar-se com a situação e ver-se num mundo "obrigatoriamente corrupto" e, de tal modo, sem solução. Aquela ideia de tentar viver bem "apesar de". Eu, apesar de muito me decepcionar e de ser pessimista e realista com diversas coisas, não consigo me entregar a esse tipo de conformismo. 
Esse pessimismo (à lá Pondé), pra mim, é uma arma muito útil na mão de quem sabe manipular o pensamento... toda alienação é.
É como um homem que acha estar sendo sempre traído pela mulher e por isso a trata mal, mas faz vista grossa pras traições dos amigos e, muitas vezes, ele também trai. O cara sempre vem com o discurso de que "ah, as coisas são diferentes." Daí, quando descobre a traição da mulher ele não associa o próprio comportamento como motor da traição, mas apenas condena o ato e a esposa. E vai sair por aí dizendo (e achando) que trair é da natureza feminina. Não é apenas hipocrisia e preconceito... é auto-alienação passiva e burra.E aí caímos no terreno do joguete político: não apenas a atual oposição usa esses sentimentos da população de arma, como de escudo para as suas próprias falcatruas de agora e do passado. Se o PT tem que ser punido pelo envolvimento com o mensalão, por que quem já fez (e faz) parte desse esquema não deve ser punido?
Porque só o mensalão do PT é traição, o dos outros é "modus operandi".

Usando um jargão imbecilizante, típico de quem não pensa: Freud explica.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Quid pro quo 3

Antes de ler o texto, peço que leiam Quid pro quo 1 e 2

Imagem tirada daqui
E sugiro que leiam, sobre o mesmo assunto dos Quid pro quo, esse texto.

Bem, Logo ia acontecer.

Tendo que lidar com o lamaçal aberto pela relação Cachoeira-Veja, a mídia se expõe (ainda devagar, claro). E nessa, começam a surgir os quiprocós da própria. É só ler os textos de cada um dos veículos que trata desse caso e ver o que eles dizem sobre seus confrades ou inimigos. Interessante como as informações chegam diferentes por diferentes veículos de mídia.
Primeiro, o mesmo assunto via Estado de São Paulo e Carta Capital:

"Mesmo com apoio do senador Fernando Collor (PTB-AL) e de parte da bancada do PT, a CPI do Cachoeira desistiu nesta quinta-feira, 16, de pedir à Polícia Federal as gravações telefônicas das conversas entre o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o jornalista Policarpo Junior, diretor da sucursal da revista Veja e um dos redatores-chefes da publicação."

Pela leitura, tem-se a impressão de que as gravações das conversas entre Cachoeira e Policarpo não serão alvo das investigações. Obviamente que, ao usar do verbo "desistir", o Estadão passa a impressão que o caso não interessa à CPI. O que é desmentido a seguir, na mesma matéria, quando se lê

"Diante da forte reação da oposição e de parlamentares da base aliada, a comissão preferiu apoiar uma proposta para pedir à Polícia Federal o repasse, ordenado por nome, de todos os grampos telefônicos feitos nas operações Vegas e Monte Carlo. Em termos práticos, a decisão não muda nada o intento de acesso às conversas do jornalista, mas foi um recuo político de quem pretendia carimbar uma relação promíscua da revista com Cachoeira."

Mesmo assim, nota-se um tom diferente do encontrado na Carta Capital, que desde a explosão do caso tem voltado toda sua munição contra sua inimiga editorial.


"O senador Fernando Collor (PTB-AL) apresentou à CPI um requerimento específico para obter os áudios em que o jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja, é citado. O jornalista aparece em cerca de 200 conversas com Cachoeira. Collor e outros parlamentares querem saber se a relação entre os dois tinha alguma ilegalidade. O requerimento foi derrubado pelo relator, Odair Cunha (PT-MG). Ele afirmou que os áudios em que o jornalista é citado já estão à disposição da CPI e, portanto, não seria necessário um requerimento específico para isso."

Considerada "chapa branca" por muitos, a Carta apresenta a mesma matéria com outro tom, buscando esclarecer que o requerimento de Collor não foi aceito porque os áudios já estariam disponíveis, sendo o requerimento uma pressão do Senador, inimigo histórico da revista Veja.

Mas não há qualquer destaque na matéria ao contato estabelecido entre Vaccarezza (PT) e o governador Sérgio Cabral (PMDB), que apareceu ontem em matéria do SBT Brasil.
Exclusivo: Vaccarezza troca mensagens comprometedoras com Cabral

A Folha de São Paulo, em compensação, não apresenta uma linha de Veja e Policarpo, ou mesmo Collor, na sua página principal. Aliás, o espaço para a CPI diminuiu bastante visualmente.


Todas as matérias da página principal da Folha (print de 18/05/2012 às 10h18m) se relacionam com as relações entre os partidos da base aliada do governo e Cachoeira.

O Globo, que entrou no quiprocó pela defesa simplesmente ridícula de Roberto Civita, traz apenas matérias relacionadas ao caso Vaccarezza - Cabral. E também em um reduzido espaço de sua página principal: Petista promete blindar Cabral na CPI

Já o G1, o portal da Rede Globo, se esqueceu do Cachoeira. Em verdade, tá lá no meio das matérias menores, n canto esquerdo, entre coisas como "Transexual 'rouba a cena' em desfile" e "Veja mentiras comuns em currículos".

Vaccarezza (que eu não acho que seja alguém confiável) é o novo alvo de boa parte da mídia, e não me surpreende que seja justamente aquela acusada de fazer parte do paredão aliado à Veja. Os grupos que dominam a imprensa brasileira formam uma canalha conhecida desde a época da ditadura, e são famosos nessa manipulação de fatos. Não se isenta, contudo, a Carta Capital por não dar destaque ao Vaccarezza, mas pelo menos ela não deixou de lado Agnelo, governador petista, como a grande mídia afastou Perillo totalmente de suas matérias. Cadê o Perillo na Folha, no G1, no Estado, no Globo? Ninguém sabe, ninguém viu.

Ah, o site da Veja? Bem, veja você mesmo e tire suas conclusões.

E o quiprocó continua quente na imprensa brasileira...

PS: Sabia que o José Serra também tem contratos com a Delta? NÃO. Bem, ninguém fala mesmo, né?