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domingo, 4 de dezembro de 2011

Manifesto Photoshop

Não.... você não entrou no blog errado.

É que faz-se necessário fazer uma reflexão sobre a existência dessa mulher.

Ela protagoniza uma imagem tem poluído minha mente nos últimos dias.

Essa é Gracyanne Barbosa.

Ela faz parte de uma categoria profissional que existe desde sempre no Brasil: as gostosas profissionais.

Existem de vários tipos e origens, mas ela é aquela que, de início, não estava atrelada a nenhum nome ou movimento "musical", programa de tv ou coisa parecida.

Mas, é inegável, ela se tornou muito mais famosa com a sua relação com Belo, o pagodeiro, substituindo outra gostosa profissional, Viviane Araújo.

Mas a reflexão aqui é mais séria e necessária que a carreira amorosa (OU MUSICAL) desse pagodeiro.

Porque esse ensaio de nudez traz consigo um manifesto da Revista Sexy.

Um manifesto em defesa do uso do programa da Adobe Photoshop:


Muito se tem visto e comentado sobre o abuso do uso programa.

Originalmente ele era apenas usado para retoques simples nas imagens.

Depois, ele virou ferramenta para "melhorar" as mulheres.

A Sexy, não à toa, se viu no dever de defender o uso do Photoshop justamente em uma de suas capas mais polêmicas.

E afirmou que NÃO utilizou o retoque nas "formas e proporções perfeitas e legítimas de uma genuína mulher brasileira".

Não sei o que mais me assusta: imaginar que a revista mentiu ou que tudo que aparece naquelas imagens é mesmo do corpo dessa mulher.

Nada lá é legítimo, genuíno ou ainda proporcional.

É só olhar para aquele bumbum.

As formas de um bumbum avantajado não são, naturalmente, aquelas.

Quem já viu um bumbum grande, ao vivo, despido, sabe disso.

Depois, ao vê-la de frente, exibindo aquele abdômen, faz-nos pensar se o artificial não está mesmo na mulher ao invés do programa.

Não é o modelo de beleza anoréxico das modelos internacionais.

Não é o modelo de beleza da brasileira.

É um novo modelo que surgiu e se expandiu com o crescimento e popularização da cirurgia plástica.

E, consequentemente, com a exposição de figuras como ela na mídia.

E que me faz pesar: o que é uma mulher gostosa?

Sim, cada um tem seu gosto.

Mas seria uma mulher como Gracyanne, com formas que exigem que uma revista faça um manifesto em prol de um programa de manipulação de imagens, realmente "gostosa"?

As mulheres de verdade, que viraram até propaganda, são as primeiras a atacar esse perfil.

Mas não há mulher que, na sua vaidade perfeitamente justificável, não pense em um retoque.

Eu não sou contra isso.

Silicone é só mais uma maneira de deixar uma mulher mais bela.

Acho que quem quer e se sente bem e bela com intervenções o deve fazer.

Mas penso, toda vez que vejo celulites apagadas em capas de revista, alterações em formas, apagamento de rugas, que há uma distorção incrível na concepção do que é a real beleza feminina.

E isso, apesar de parecer um papo de homem, é pra mim um problema muito maior. É um problema de filosofia.

Quando vivemos num mundo como o atual, onde a imagem importa mais que o conteúdo, o ensaio de Gracyanne é o reflexo direto de uma filosofia de vida.

A filosofia de uma sociedade que se entregou para o artificialismo da beleza feminina.

A mesma sociedade que ancora parte de sua identidade na figura feminina.

Nossos tesouros são o samba, a natureza, o futebol e a mulher brasileira.

Temos a garota de Ipanema, o carnaval...

A sociedade brasileira é sexualizada.

Somos o país do biquíni fio-dental. Há uma depilação chamada de "brasileira".

Somos, infelizmente, o país da prostituição também.

Do tráfico de mulheres. Das mulheres "fáceis".

Essa é a imagem do Brasil há muitos anos...

E Gracyanne faz parte de uma filosofia de vida que envolve, inclusive, a sua relação com o cantor Belo.

Mulheres como ela (talvez não com as mesmas formas) aparecem todos os dias se vangloriando de serem cobiçadas por jogadores de futebol, músicos, subcelebridades.

Se expõem incessantemente em troca de holofotes e uns trocados.

Lutam por um espaço em revistas de ensaios nu.

E fazem da exposição de seu corpo e de sua sexualidade (porque não vejo vergonha alguma no uso do corpo e na exposição do mesmo) o veículo para sua ascensão social.

E se entregam a um vício social que reflete-se nessa necessidade da exposição perfeita.

O problema é que a noção de perfeição se perverteu.

Assim como, se isso é perfeição, não precisamos, homens, de mulheres como Gracyanne.

Precisamos de mulheres com celulite, com formas avantajadas sim, mas dentro da normalidade.

É um problema de percepção, de visão do mundo.

A foto ao lado é a foto de uma brasileira, Anne Midori.

Ela é uma mulher brasileira típica. Mestiça de orientais, com formas proporcionais e de uma beleza inegável.

Nosso país é um país de belezas diversas, de diversidade de semblantes e de corpos.

Essa foto também é de um ensaio de nu.

De uma revista dessa, acho que da Playboy.

E não há nenhum Photoshop nessa imagem.

Que me faz pensar que há uma vulgaridade na exposição natural do corpo sarado e desproporcional de Gracyanne que não há no corpo de Midori.

Se eu apresentasse as imagens das duas à paisana, sem dizer quem é cada uma delas, quem será que você diria que é a atriz pornô?


Anne é uma atriz pornô.

Uma atriz pornô, que em sua explicidade ginecológica, é mais natural pra mim que uma mulher como Gracyanne.

Mas que comportamento seria censurado? O de Anne, ou o de Gracyanne?

Porque a vista grossa com a prostituição da imagem?

A diferença entre Anne e Gracyanne, nas fotos acima, é uma questão de postura, de comportamento. Não das duas moças apenas, mas de toda uma sociedade.

Vulgaridade está na sociedade, eternamente machista, que imprime um padrão de comportamento e beleza distorcidos para as mulheres.

Ou você é uma modelo anoréxica ou uma siloconada deformada.

Assim como a questão da "beleza" de Gracyanne transcende suas formas exageradas, seu comportamento e o comportamento das pessoas perante isso tudo é um alerta sobre a maneira como nossa sociedade enxerga a mulher brasileira hoje em dia.

E é tudo muito mais sério para ignorarmos Gracyanne e o manifesto da Revista Sexy.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Arte: Amanda Conner


Todo dia inauguro uma nova seção nesse blog... Só falta alguém ler, gweheheh.
Agora vou postar alguns artistas (principalmente desenhistas de comics) que eu admiro, e darei três motivos em apenas três palavras para descrever a arte de cada um.

Começando hoje com uma mulher, Amanda Conner:

Simplicidade, carisma, sensualidade.


Link no Comic Art Community: http://www.comicartcommunity.com/gallery/categories.php?cat_id=255

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Street Racing Syndicate

Hoje vinha conversando com a minha digníssima, cônjuge quando falávamos acerca de trânsito e de maus motoristas, eu citei algo que pra mim eu tinha lido em algum ponto obscuro da net, mas acho que foi coisa da minha cabeça mesmo. A gente conversava sobre o respeito para com os ciclistas, e o fato de que a preferência é sempre deles, e eu apresentei meus argumentos: por mais que tentemos, nos esforcemos, que as leis sejam revistas ou até cumpridas, o espaço do trânsito ainda é dos motoristas.
A sensação de poder exercida pelo domínio do possante (sensação essa que apesar do apreço que tenho por automobilismo e da necessidade, optei por não ususfruir pelo menos por enquanto) torna a rua a selva, onde predomina a lei do mais forte. Não importa se haja lei seca, confisco da carteira, multas pesadas, radares. O mais fraco sempre perderá, apenas por ser o mais fraco.
Não é apenas um pessimismo alienante, que me impede de defender as punições severas. É o constatar que, como em vários outros casos, o que tem de mudar é a cabeça das pessoas, o comportamento em sociedade e, num nível mais amplo e mais claro, a educação mesmo. Não adianta punir, tem que haver uma tomada de consciência geral sobre o que ocorre nas estradas, avenidas e ruas.
As leis devem existir, mas não surtirão efeito enquanto existirem os "pilotos de fim-de-semana", o mesmo bando de nós cegos que saem por aí com o sonzão no talo, mexendo com garotas na rua como se todas foissem putas (enquanto seus carros estão cheios de machos, o que eu chamava quando pequeno de "machomóvel"), que acham que são sempre os donos da verdade, que os radares são abuso de poder e que multa é máfia pra tirar dinheiro do povo. Enquanto esses moleques (NASCIMENTO, Capitão. Tropa de Elite, 2007.) continuarem a encarar o carro como uma extensão do pênis, dirigindo como se fodessem, querendo logo atingir o clímax. nada será resolvido, e mortes continuarão a ocorrer. E, assim como nas fodas desse tipo de gente, em minutos tudo pode acabar de maneira trágica, frustrante e irremediável, enquanto tivermos um bando de broxas querendo dar uma de "pintudos" do trânsito.
TENHO DITO!

PS: A imagem ilustra o melhor de dois mundos. Se correr é o seu negócio, faça na pista. Se foder é o seu negócio, foda com a sua garota, bem gostoso. Ambas as práticas exigem treinamento, concentração e bastante respeito. Se você não tem nenhum desses três requisitos, bata uma utilizando a imagem acima como inspiração e somente então saia com seu bólido de casa. A sociedade agradece.

PS2: Eu me lembro que quando eu fiz pela única vez um CFC, eu vi esse educativo vídeo, o melhor ainda hj sobre o trânsito: