quinta-feira, 15 de junho de 2006

Para o Dia dos Namorados

“Começando pelo amor. O amor é essencialmente união, e naturalmente a busca; para ali pesa, para ali caminha, e só ali pára. Tudo são palavras de Platão, e de Santo Agostinho. Pois se a natureza do amor é unir, como pode ser efeito do amor o apartar? Assim é, quando o amor não é extremado e excessivo. As causas excessivamente intensas produzem efeitos contrários. A dor, faz gritar; mas se é excessiva faz emudecer; a luz faz ver; mas se é excessiva cega; a alegria alenta e vivifica; mas se é excessiva mata. Assim o amor, naturalmente une; mas se é excessivo divide... O amor, diz Salomão, é como a morte. Como a morte, rei sábio? Como a vida dissera eu. O amor é união de almas; a morte é separação da alma; pois se o efeito do amor é unir, e o efeito da morte é separar, como pode ser o amor semelhante à morte? O mesmo Salomão se explicou. Não fala Salomão de qualquer amor, senão do amor forte... E o amor forte, o amor intenso, o amor excessivo produz apartamentos. Sabe-se o amor atar, e sabe-se desatar como Sansão! Afetuoso, deixa-se atar; forte, rompe as ataduras. O amor sempre é amoroso; mas umas vezes é amoroso e unitivo, outras vezes, amoroso e forte. Enquanto amoroso e unitivo, ajunta os extremos mais distantes e mais unidos. Quais são os extremos mais extremos, mais distantes e mais unidos que há no mundo? O nosso corpo e a nossa alma. São os extremos mais distantes; porque um é carne, outro espírito; são os extremos mais unidos porque nunca jamais se apartam. Juntos nascem, juntos crescem, juntos vivem, juntos caminham, juntos param, juntos trabalham, juntos descansam; de noite e de dia; dormindo e velando; em todo o tempo, em toda a idade; em toda a fortuna; sempre amigos, sempre companheiros, sempre abraçados, sempre unidos. E esta união tão natural, esta união tão estreita, quem a divide? A morte. Tal é o amor... O amor, enquanto unitivo, é como a vida; enquanto forte é como a morte. Enquanto unitivo, por mais distantes que sejam os extremos ajunta-os; enquanto forte, por mais unidos que estejam, aparta-os.”

Pe Antônio Vieira

Quem são essas pessoas?

Ouvindo Who are these people?, do disco ‘At this time’ de Burt Bacharach.

Nem todo mundo tem os dois braços...

Provavelmente você não pensa nisso quando se olha no espelho

E se acha um pouco acima do peso

Quando diz que está em depressão

Por que seu namorado te largou

Quando foge dos aglomerados de pessoas

Por odiar o cheiro de “gente”

Quando come e reclama da comida

E por que não gosta joga fora

Nem todo mundo tem os dois braços

Se você os tem, parabéns!

Você pode ser chamado de “normal”

Você não vai ter problemas

Com ônibus, táxis, escadarias, ruas,

Descriminação, caras de piedade, nojo, repulsa.

Você é alguém que não vai ser utilizado

Como chamariz para um artista

Que usa sua instituição de caridade

Para lavar dinheiro

Nem todo mundo tem os dois braços

Mas você, estúpido e ignorante,

Acha que desgraça é o seu time perder

E, enfurecido, mata o torcedor adversário

Para aplacar a sua raiva

Assim como os governantes

Que roubam dos pobres para dar aos ricos

Esses possuem vários braços...

Nem todo mundo tem os dois braços

...

Nem todo mundo tem os dois braços

Mas toma banho, trabalha, come,

Dança, se diverte, bebe, fica feliz,

Corre, pula, joga, transa, ama,

Abraça...

Sim

Nem todo mundo tem os dois braços

Mas todo mundo é capaz de abraçar...

Fábio Gerônimo